A Revolta na Educação



Diante das injustiças dos homens e das tragédias do mundo, nos resta tomar duas atitudes: a revolta ou a revolução. A revolta constitui um estado de espírito que é mais individual e subjetivo do que coletivo. A revolta é uma filosofia de vida e uma exigência estética, que toma consciência do absurdo e diz “não”. Já a revolução, estabelece uma ruptura essencialmente radical de transformação e organização da sociedade.

Prometeu e Sísifo, são exemplos arquetípicos da revolta contra as imposições de uma realidade injusta e absurda. Por sua ousadia, Prometeu é castigado pelos Deuses e não vê esperança de mudança na sua condição de sofrimento, em Sísifo, essa esperança aparece no momento em que ele toma consciência de sua tragédia e se revolta.

Portanto, revolta também possui dois significados: revolta como reação natural diante da experiência absurda da sua condição, essa revolta esta tanto no gesto de indignação contra o criador quanto no ceticismo das soluções demasiadamente humanas. E a revolta política ou histórica, que é a revolta do povo que anseia sair da sua condição precária submetida à mera sobrevivência. 

A revolta política implica numa atitude de desconfiança para soluções simplistas de salvação da humanidade presentes nos discursos midiáticos e ideológicos de inspiração revolucionária. Pregar a revolução na Educação e gozar uma vida burguesa, não configura práxis genuína.

As revoluções buscam justiça, igualdade, liberdade, e se afastam das atitudes verdadeiramente críticas. Ou seja, o drama da revolução consiste na incapacidade de manter vivo o espírito que deu impulso ao movimento revolucionário. Nossa história política esta repleta de exemplos incapazes de manter fidelidade ao discurso ideológico de mobilização e também de cumprir os princípios éticos de outrora inseridos nas palavras de ordem. Revolta na Educação pode deixar como legado uma lição: Palavras de ordens não estimulam pensamento algum no sujeito, mas sim, uma ação automática, coletiva e submissa.

A revolta na Educação será forjada por professores, alunos e diretores que são consumidos e forçados a um cotidiano repetitivo, cujo objetivo é manutenção do status quo. Ainda que essa revolta não supere os obstáculos de regramento e ignorância, sua força e sua razão devem brilhar como uma fagulha nos olhos de nossas crianças e jovens. 

A Revolta na Educação trata-se de um sentimento repleto de atitudes libertárias realizadas nesse universo confuso, ameaçador, apático e descrente que chamamos de escola! Porem, não existe melhor espaço para ensinar que o exercício pleno da liberdade está no espírito de revolta e não na cultura revolucionária. 

Texto incidental Revolução ou Revolta do Professor Raymundo de Lima
Inspiração: A EDUCAÇÃO PRECISA DE RESPOSTAS

Campanha da RBS


Recomendo a leitura desses textos no Site da Campanha

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